terça-feira, novembro 3

A ESPERANÇA É A ÚLTIMA QUE MORRE...?

Átila da Silva, pr.

A famosa frase já faz parte da recitação automática da maioria das pessoas quando o assunto é uma fase ruim, um acontecimento triste ou o aumento do custo da cesta básica. É aquela tentativa nossa de fazer uma confissão positiva, de atribuirmos à simples recitação de um pensamento o poder transcendente de modificação do agora e do futuro.

Pensar que a esperança é a última no paredão de fuzilamento do inesperado, do imponderável e da vicissitude não traz real alento, apenas ameniza, por breve tempo, a ansiedade.

Ainda, essa frase tem sua origem numa expectativa de plano humano, desencadeada a partir do nosso próprio coração, sem uma ligação com Alguém que realmente possa ajudar na nossa tarefa de refletir a vida e discernir o momento em que se usufrui da vivência negativa. Então, a "esperança é a última que morre" já nasce com um pé na cova!

O peregrino, discípulo de Jesus, também participa dessa dinâmica de desesperança como qualquer ser humano. Pode sofrer o assalto de pensamentos tão desalentadores que se sinta abatido e desmotivado.

Na verdade, não existe alguém mais consciente de sua humanidade que o peregrino. Isso se dá pelo relacionamento pessoal que desenvolve com Deus. 1

Enquanto falsas teologias em nosso país apontam diversos caminhos como resposta aos dramas da vida (prosperidade material; ascendência na estrutura hierárquica da instituição religiosa; a adaptação de mandingas sincretistas, a ação independente do 'quem sabe faz a hora não espera acontecer'; etc...) somente Cristo muda o nosso ser interior. É aqui que precisamos experimentar transformação (Rm.12:2 - renovação da mente; Cl.3 - despojar, revestir), pois as situações da vida já estão sob Seu controle. Logo, o peregrino, que se vê também debaixo de Sua mão de poder, entende que não precisa viver ansioso por coisa alguma, pois está seguro andando com o Mestre.

Para o peregrino a esperança é a primeira e a última que nunca morre, pois ela repousa unica e exclusivamente em Cristo Jesus e Sua Palavra!




OBSERVAÇÕES:

1. Veja essa realidade descrita pelo apóstolo Paulo:

Ele fala de duas regulações em ação dentro do peregrino. A primeira remete o discípulo à normalidade da independência, do egoísmo e do desespero (A lei do pecado). A segunda rema contra a maré e aponta o caminho da dependência, do negar-se a si mesmo e da esperança EM Cristo. Paulo utiliza um verbo grego muito interessante para descrever o embate que existe entre as duas regulações: antistratéuomai.

Embora a sua única ocorrência no Novo Testamento seja aqui, encontramos o verbo não preposicionado (stratéuomai) que pode ajudar-nos a entender melhor a que o apóstolo está se referindo. A figura é uma campanha de guerra, onde os soldados estão em plena ação dentro do campo de batalha (2Tm.2:4; 1Tm.12:18 e 2Co.10:2,3). Então, o peregrino está consciente que dentro de si existe uma luta feroz pelo controle dos sentimentos e dos pensamentos. Ela é tão forte que leva o apóstolo a expressar dramaticamente essa realidade: "Desgraçado homem que sou! Quem me livrará desse embate?".

A resposta para sua pergunta é a verdadeira esperança para cada um dos peregrinos:


Abraço.

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