segunda-feira, junho 8

O PEREGRINO E O FANATISMO

Átila da Silva, pr.

Os antigos adoradores da deusa romana da guerra, Bellona, foram os primeiros religiosos a serem chamados de ‘fanáticos’. O interessante é que a palavra quer dizer ‘aquele ou aqueles que pertencem a um templo’. Em um ‘fannum’ (Templo) os adoradores rasgavam a roupa e a golpes de punhais laceravam o próprio corpo tentando ser ouvidos pelos seus deuses. Cada deidade estava confinada em um ‘fannun’ diferente e seus adoradores precisavam ir até lá para que sua devoção fizesse sentido.
O peregrino não é um fanático, pois não pertence a um templo. Não está submisso a uma sede devocional, não precisa peregrinar em direção a um ‘fannum’ na esperança de encontrar o seu objeto de adoração esperando por ele. O seu relacionamento com o Cristo acontece na andança, em meio à peregrinação, ou seja, na vida, no seu cotidiano, dentro do contato com as pessoas em casa, na vizinhança, no trabalho, na escola, etc. É no movimento da peregrinação onde o discípulo pode sentir profundamente a Presença do Mestre e alcançar a alegria de estar na Presença dAquele que não dormita nem dorme, e que por ele morreu e ressuscitou! Aleluia!
O famoso matemático e filósofo (cristão) Blaise Pascal pode nos ajudar nessa reflexão: “Os homens jamais fazem o mal tão completamente e com tanta alegria como quando o fazem a partir de uma convicção religiosa”. Que sejamos peregrinos, não fanáticos do culto a nós mesmos, aos nossos feitos ou a um templo / lugar.
Vamos andando e ajudando... andando e compartilhando... andando e mostrando na prática o amor de Jesus, deixando que a luz, existente agora em nós (Mt.5:16), brilhe para que as pessoas vejam e saibam o que, até então, não poderia ser percebido.
Fotos:
1. Bíblia Online - estilizada pelo autor. 2. Blaise Pascal in www.chess-theory.com