sexta-feira, julho 17

UM OLHAR SOBRE "A CABANA" - William Paul Young

Átila da Silva, pr.


Saiu na Revista Veja o primeiro lugar de vendas ocupado pela ficção literária "A cabana", do escritor canadense William Paul Young. Alguns têm encarado a obra como um tomo teológico e, a partir daí, elaborado extensas críticas e contestações pensando prestar um serviço à ortodoxia. Porém, gostaríamos de compartilhar outra visão analítica, buscando contribuir com a reflexão que "retêm o que é bom".
Pensamos que o livro deva ser entendido dentro do contexto de sua produção. Young não pensou em fazer um livro comercial, mas um estímulo ao pensamento reflexivo aos seus seis filhos ( I writing a story for my kids[...] ages 15-27 [...] I am not writing a story that intend or expect will be published [...] site).
Pensamos que o livro não deva ser abordado por meio da teologia, pois não se propõe a ser teológico, na essência do termo (Mundo acadêmico). Young diz que "sua ficção deve ser entendida como obra de arte, dentro da qual a verdade pode ser lançada com criatividade" site. "Eu não escrevi uma teologia sistemática, escrevi uma história de ficção para minhas crianças [...] o poder da arte pode penetrar [...] no coração. Incita coisas na alma que não são tão facilmente descartadas".
Pensamos que "A Cabana" precisa ser entendido a partir da Filosofia, ou seja: 1. Alguns aspectos de doutrinas que surgem no livro são apresentados no contexto da atitude filosófica (como temos apresentado aqui no CONTRA MÃOS na sessão "Atitude Filosófica"), ou seja, a citação de doutrina não pretende ser exata, sistemática, mas um instrumento para provocar a reflexão filosófica. 2. O autor fornece ao leitor diversas formas de confrontação do seu cotidiano, da sua forma usual e comum de pensar e ver o mundo. Isso envolve o confrontar da religiosidade eclesiástica engessada (Que existe para preservar-se), da teologia arrogante (Que pretende limitar a Pessoa de Deus às suas formulações dogmáticas) e das pressuposições dogmáticas acerca do que cada um pensa ser A VERDADE sobre a Triunidade Divina, tão comuns nos recônditos evangélicos. Por exemplo: uma figura feminina e negra como Deus Pai. Não é necessário irmos muito longe para perceber o trato com a realidade cultural sobre a questão feminina e sobre o conflito racial, sendo utilizados como forma de confrontação filosófica.

Logo, se você permitir que a atitude filosófica, permeada na trama do livro, atue como contra-ponto de releitura de sua noção de relacionamento com Deus, já valeu a leitura. No mundo evangélico não somos incentivados a pensar, a refletir e a questionar. As forças formadoras buscam uma uniformidade que nunca existirá nesse mundo, nem mesmo doutrinariamente. Isso, entretanto, não anula a busca que o peregrino deve fazer pela pureza da doutrina bíblica, que será encontrada em seu texto e contexto, sabendo que a Bíblia sempre será a Palavra de Deus suficiente para que uma pessoa se encontre e se comprometa com Seu Criador.
Foto tirada em Curitiba quando da visita do autor ao Brasil.
Leia mais na fonte: blog de William Paul Young: http://www.windrumors.com/



FOTO:
William Paul Young in http://portal.rpc.com.br/gazetadopovo/cadernog/conteudo.phtml?id=822536