quarta-feira, outubro 21

UMA TOALHA PARA CADA (NOVO) PEREGRINO

Átila da Silva, pr.

Existe uma grande ligação de significado entre os textos do Evangelho de Marcos, capítulo 10 e versos 43 a 45 e do Evangelho de João, capítulo 13 e versos de 13 a 17.

A significação compartilhada passa desapercebida à leitura superficial que estamos acostumados a fazer (influência direta do desprezo pela reflexão aprofundada da Palavra de Deus).

Nestes textos Jesus aparece ensinando. O primeiro é o centro do Evangelho de Marcos, enquanto em João o texto inaugura o segundo volume deste Evangelho, relacionando o resumo das instruções de Cristo. O quadro abaixo demonstra como os ensinos estão relacionados:
(Confira os textos bíblicos!)
Uns devorando os outros...
O Mestre passa a dizer que existe um jeito de ser discípulo, peregrino, que é pautado por um valor em drástica oposição à estrutura comum dos relacionamentos humanos. Nesta estrutura relacional existe a competição, a lei do mais forte e a dignidade e sucesso medidos pela ascensão social e política (PODER), cuja dominação faz pessoas servirem, sob opressão (emocional, espiritual), a propósitos que não escolheram, tendo o outro sempre como rival por um "lugar ao sol", o qual deve ser conquistado de qualquer forma, na batida do "primeiro eu, depois...". Esta realidade pode ser encontrada em todos os âmbitos da sociedade, inclusive no microcosmo religioso-eclesiástico.

Foi registrada por Marcos a declaração incisiva de Jesus: entre os peregrinos NÃO É assim. Ele não disse "não pode ser assim", a afirmação é clara e objetiva: quem está na peregrinação, quem está seguindo como discípulo, não vive assim, pois sua opção é outra. Já em João está registrada a declaração contrária: entre os peregrino É assim. Ou seja, aqueles que têm Jesus como Mestre e Senhor optaram por moldar sua maneira de viver o dia a dia a uma forma muito diferente daquela reinante na sociedade ao redor.

É interessante ver como muitos encontros eclesiásticos tratam os "novos convertidos". Apressam-se a oferecer um evangelho de João, um boletim com a agenda de programas, uma proposta de adesão ao modelo eclesiástico do lugar e um envelope de dízimo. Mas, na verdade, deveriam doar o evangelho e uma toalha. Isto para que a pessoa, pretensa convertida, saiba imediatamente do que é feito o compromisso de vida que está disposta a entregar-se.

Servir voluntariamente é uma vocação passada de Mestre para discípulo, portanto a única forma de ser peregrino!

Nesta caminhada ninguém é mais importante do que aquele que serve. Logo, todo peregrino é importante e na sua maneira de viver (escola, trabalho, lar, etc.) as pessoas podem enxergar claramente o Seu Mestre, pois é e faz exatamente como Ele ensinou e fez, não como constrangido, mas porque escolheu livremente ser amado e amar (Mt.5:16).

Fonte: desenho estilizado por CONTRA MÃOS. Você pode adquirir o original. Siga o link:
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