sexta-feira, junho 4

UM SALMO PARA O REVOLTADO...

Átila da Silva para o CONTRA MÃOS.

O peregrino é humano.
O Mestre Jesus sabe bem dessa condição.
Por isso, o peregrino é pessoa livre.
Nada mais o liga a Cristo senão o amor.
Não existe a tirania da expectativa divina. Ou seja, ele sabe que não precisa conquistar a perfeição e um estado de equiparação com Jesus por meio de um conceito equivocado de conquista por força própria da santificação.
O peregrino sabe que se o Mestre tivesse quaisquer expectativas em relação ao seu desempenho como discípulo seria um 'deus mais que frustrado', porque homem é homem. Vive-se na esfera do 'já' e do "ainda não". Somos santos em Cristo, agora, mas ainda não conseguiremos viver aqui um estado de santidade tal que nos veremos isentos da ação do pecado em todos os momentos.
Nem mesmo a oração e jejum podem produzir tal milagre.
Só o Mestre o fará acontecer. Ele prometeu!
Não é o que fazemos que nos torna santos, mas o que somos.
O peregrino sabe que não terá condições de deixar Deus 'feliz ou triste' com o que ele faz. O Senhor não pode ser modificado por tais sentimentos, senão não seria O Perfeito. Nunca testemunharemos o Mestre se queixando porque Seus propósitos não foram alcançados na vida de um peregrino. Tudo o que diz respeito à fé e a vivência com o Jesus bíblico foi elaborado por Ele: por nós e para nós. Para crescermos, para sermos feitos conscientes dessa dinâmica do nosso estado alquebrado, pecaminoso, em acesso direto com o divino, com a Santidade Plena.
Portanto, o peregrino sabe quem ele é e busca continuar a desenvolver o relacionamento pessoal com o Mestre, para vir a ser, todos os dias, em novidade de vida, sempre por amor.

Mas, às vezes, o discípulo fica perplexo diante de fatos da vida que lhe ocorrem. O sofrimento e a falta de uma solução rápida para as situações de tensão e revés podem levar o peregrino a questionar Deus.

É justamente aqui que encontramos David escrevendo o Salmo 13.
Começa com sua revolta reclamante por meio de 4 perguntas diretas, que expressam as visões que tomaram conta dele em meio à situação terrível em que se encontrava:

1. O Mestre Se esqueceu de mim.
por isso clamo e a situação não muda.

2. O Mestre está fugindo de mim.
por isso não consigo encontrar uma solução para a situação.

3. O Mestre não Se importa com meu estado de tristeza diário.
por isso essa situação talvez não passe...

4. O Mestre não se importa tanto com os que estão me confrontando ilicitamente.
por isso talvez tenha que tomar uma Atitude mais drástica. 


Parece que existiu um tempo de intervalo entre os versos 1, 2 e 3, 4. O peregrino volta a orar e clamar, pois sabe que não escolheu outra forma de viver senão depender e esperar do Mestre o livramento e a realização da Sua vontade em sua vida. Por esse pedido, ele começa a reorganizar sua mente e retornar ao caminho de sanidade espiritual.
Fico feliz por ver um colega de peregrinação colocando diante do Pai, com toda a liberdade que só um relacionamento de amor pode propiciar, todas as suas mágoas e incompreenções para com Ele e Sua forma de agir. Para o peregrino, questionar o Mestre não é pecado. É uma forma de abrir-se para ver-se como Ele o vê. Em sua manifestação de humanidade, no lugar certo - na Presença do Pai - , ele é mais peregrino que nunca. Aí, frágil e verdadeiro, rasgando qualquer script religioso, removendo as barreiras de sua 'segurança', ele deixa a luz do céu entrar!
Por isso, consegue mudar totalmente o rumo de seu compartilhar em oração com o Mestre. Ele tocado pelas verdades espirituais que já conhece, assume três posicionamentos:

1. Mestre, eu confio no Seu amor leal.

2. Mestre, eu estou feliz pela resposta que certamente o Senhor mandará, conforme Sua vontade, porque a salvação é Sua.

3. Mestre, cantarei ao Senhor, em meio a toda essa situação, porque tem me feito muito bem!

Leia novamente o Salmo 13 e perceberá essa mudança radical que o contato direto e franco com o Mestre trouxe ao salmista.

Quando deixamos as formalidades teológico-religiosas e entramos no relacionamento de amor com o Mestre, passamos a ser mais conscientes, pois "arrependimento" continua sendo 'metanóia' - mudança de mente!
Nosso coração pode despachar palavras desaforadas e cheias de tensão para o Mestre.
Mas, logo, na continuidade da conversa franca com Ele, recebemos o consolo das verdades que aprendemos na caminhada com Ele.
Lembramos que o amor do Mestre é leal, benigno e inesgotável, apesar das nossas fraquezas e intolerâncias.
Lembramos que Ele já disse que nunca nos deixaria. Portanto, nada que se relacione à vida do peregrino fugirá do controle e da orientação soberana do Mestre.
Lembramos que fomos banhados pela Graça amorosa de Jesus que nos dá livre acesso e segurança Nele. Temos força para continuar e somos conduzidos a um nível de consciência de quem somos, mas, pricipalmente, de Quem Ele é!
Assim, não importa que intensidade de sofrimento ou se nossa vontade não esteja sendo feita assim na Terra como no céu. Podemos descansar, podemos ver a força do revés sendo diluída pelas certezas que temos. Finalmente, poderemos dizer como o salmista que deixou sua revolta, pelo menos por enquanto,
"Cantarei ao Senhor, porquanto me tem feito muito bem!"

 - O 'salmo para o revoltado' veio da pena de David.

ASSINE O CONTRA MÃOS. Clic
_________________________________________________ 
FONTE:
Texto hebraico: Programa Davar3.
Pano de fundo pergaminho: http://ajuda.forumeiros.com/questoes-sobre-codigos-f7/widgets-personalizar-o-fundo-t21514.htm