quarta-feira, setembro 15

SER...PARA FAZER...

Átila da Silva para o CONTRA MÃOS

Dois irmãos protagonizaram uma das histórias da vida real mais famosa do mundo.
O seu relacionamento familiar foi abalado por um grande conflito interpessoal, que findou-se de maneira trágica.  
O contorno do ambiente desse embate se formou a partir de manifestações de espiritualidade e se completou na doença relacional fatal.
O livro bíblico do Gênesis (CAPÍTULO 4) relata que Caim e Abel tiveram as mesmas oportunidaes de vida. Escolheram suas profissões e relacionavam os frutos de seu trabalho à sua espiritualidade, expressando o elo espiritual imprescindível para uma vida de qualidade.

(1)
Infelizmente, Caim esqueceu-se de que ser vem antes de fazer, que as ações são fruto da vida pessoal interior, e que oração, culto, celebração, oferenda são necessidades humanas e não divinas.
Alguns erroneamente pensam que o que levou Deus a rejeitar Caim foi o conteúdo da sua oferta. Mas o texto original revela que ele não foi aceito porque não fez a sua oferta com inteireza de coração, como alguém que está realmente agradecido e alegre por conviver e poder dar o presente a um amigo íntimo (2).
Caim tinha ciúmes de seu irmão (talvez do relacionamento espitirual que o irmão mostrava ter) e queria obter um aliado para confirmar a 'razoabildiade' desse seu sentimento... no caso, Deus! 
Como poderia existir um sentimento assim destrutivo no ambiente da espiritualidade?

Algumas lições saltam aos olhos:

a. Espiritualidade é exercitada de dentro do coração para Deus e depois para o próximo.
b. "Ambiente de espiritualidade" (templo, reuniões, culto, etc.) é reflexo do meu relacionamento pessoal com Deus.
c. Minhas atitudes em meus relacionamentos interpessoais nunca são esquecidas ou deixadas de lado por Deus.
d. Deus nunca me apoiará (estará ao meu lado) quando eu praticar o que é mau.
e. Os relacionamentos dentro de casa (Família) testemunham acerca de meu relacionamento com Deus.
f. Não posso ocultar os pecados cometidos no encontro com Deus.
g. Confessar minhas limitações, sentimentos, pecados, tristezas e quaisquer coisas que impeçam meu relacionamento com Deus é o primeiro passo para uma espiritualidade verdadeira e saudável.

O melhor caminho é não se deixar levar pelos sentimentos de competição, auto-afirmação e orgulho, pois certamente se aplicará a nós a frase confrontadora:

"Se você fizer o correto, não será aceito?
Mas se não o fizer, saiba que o pecado o ameaça à porta;
ele deseja conquistá-lo, mas você deve dominá-lo"
(3) 

NOTAS:
(1) Retábulo da capela de Ghent, onde se vê o entalhe de dois momentos de Caim e Abel. "Retábulo" é uma construção de madeira (ou mármore, ou de outro material), com lavores, que fica por trás e/ou acima do altar em um templo, e que, normalmente, encerra um ou mais painéis pintados ou em baixo-relevo. http://en.wikipedia.org/wiki/Ghent_Altarpiece

(2) O grau Hiphil do verbo yātav indica que Caim "não fez acontecer a oferta com alegria, com regozijo". A sequência do texto deixa claro isso. Note que no verso 12 Deus não diz a Caim que ele deveria mudar de ramo de atividade, mas que sua profissão iria se tornar muito mais difícil como resposta daquele seu ato. O problema não foi o sacrifício de sangue X sacrifício de colheita... foi o coração.

(3) Nova Versão Internacional (NVI). Grifo nosso.

sexta-feira, setembro 3

RAIO X DO SEU INTERIOR.

Átila da Silva para o CONTRA MÃOS

Nesse tempo em que convivo com pessoas e, principalmente, comigo mesmo, tenho percebido a dificuldade que temos de cultivar o saudável hábito cotidiano da auto-avaliação. Apreciamos a idéia de que 'já chegamos', de que 'estamos indo bem', de que 'nossa vida só necessita de ajustes finos, pequenas e quase imperceptíveis correções de rota'... Enquanto vivemos cada dia observando, avaliando e estabelecendo listas de sugestões, com criatividade invejável, para as outras pessoas mudarem a sua maneira de ser, de pensar, de se comportar, de se vestir, de se apresentar, de comer, de rir ou chorar, perde-se reiteradamente, como que por um bolso furado, o ensejo de aproveitarmos todo esse esforço de análise e criação para cuidarmos da saúde, da robustez, da genuinidade e dos frutos que nós mesmos estamos produzindo. São bons ou maus?
O filme a seguir nos ajudará nessa reflexão. Usufrua e mude...


Jesus ensinou:
"Não julguem, para que vocês não sejam julgados... Por que você repara no cisco que está no olho do seu irmão, e não se dá conta da viga que está em seu próprio olho? Como você pode dizer ao seu irmão: 'Deixe-me tirar o cisco do seu olho', quando há uma viga no seu? Hipócrita, tire primeiro a viga do seu olho, e então você verá claramente para tirar o cisco do olho do seu irmão...Semelhantemente, toda árvore boa dá frutos bons, mas a árvore ruim dá frutos ruins. A árvore boa não pode dar frutos ruins, nem a árvore ruim pode dar frutos bons... Assim, pelos seus frutos vocês os reconhecerão!"

FONTES:
Foto árvore: rayanrod.wordpress.com
Filme: RefletirTV
Texto Bíblico: Mt.7:1-20; Nova Versão Internacional.