segunda-feira, janeiro 11

O PEREGRINO E AS DISTRAÇÕES NO CAMINHO 2

Átila da Silva para o CONTRA MÃOS.

Uma de nossas tendências habituais é tornarmos as coisas com as quais nos relacionamos IGUAIS a nós mesmos. Ou seja, pessoas, acontecimentos, conceitos e preconceitos, tudo é insistentemente enxergado e interpretado a partir de nosso próprio reflexo.
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O ponto de referência para essa interpretação do mundo, espiritual, emocional ou material, somos nós mesmos.
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Por isso, quanto maior a intimidade com algo ou alguém, menor o respeito e a percepção do seu valor.
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A dimensão de quem o outro é e significa vai sendo mimetizada por nós. Seria de se esperar uma mimetização com o meio, mas nesse nosso processo habital impomos o mimetismo ao próximo, à vida.
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Esse realidade é uma grande distração no caminho para o peregrino. De repente, ele olha a seu redor e percebe que tudo está muito parecido com ele, conferindo-lhe a falsa ideia de que ele está, na maioria massacrante das vezes, certo, de que não precisa buscar uma transformação urgente e continuada, de que chegou a um patamar invejável, onde sua visão de mundo e sua capacidade de análise e interpretação, são quase as mesmas de Cristo Jesus.
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Quando o peregrino deixa de se ver como é e conforma as pessoas, os conceitos, os objetivos, as razões para ser, à sua imagem e semelhança, logo se desviará da caminhada com o Mestre. Continuará caminhando, só que perdido em seu próprio reflexo!