terça-feira, fevereiro 16

O PEREGRINO E AS DISTRAÇÕES NO CAMINHO 4

Átila da Silva para o CONTRA MÃOS

A distração do companheirismo na peregrinação.

Embora o Novo Testamento mostre a importância da companhia dos irmãos na dinâmica comunitária de vivência e compartilhar do Evangelho, existe uma particularidade da peregrinação que foi muito bem expressa pelo famoso autor John Bunyan em seu livro "O Peregrino". É notável que a peregrinação é essencialmente feita entre o discípulo e o Mestre.

Não poderia ser diferente, porque a peregrinação não é homogênea. Cada discípulo tem um ritmo de vivência da fé, tem sua própria maneira de apropriar-se das verdades do Evangelho e colocá-las em ação no dia a dia. Mas existe grande inisitência nas reuniões cúlticas de ocultar ao discípulo essa realidade de sua própria caminhada de fé. Há a busca pela identificação total do discípulo, NÃO com o Mestre, mas com a equalização, com a construção de uma única forma de pensar expressa e energizada quase sempre pela proposta de ministério dos líderes. Assim, drena-se a essência da caminhada a ponto de torná-la algo que depende e acontece, apenas, pela coletividade.

Talvez isso se dê pela influência desse pensamento coletivo sobre a leitura bíblica. Ao encontrar-se um trecho que fala sobre "nós ou vós" há a ligação aplicativa imediata da leitura e do leitor com o grupo denominacional que ele chama de "minha igreja". Então, palavras de Pedro como "... andai em temor durante o tempo da vossa peregrinação", 1Pe.1:17b, só podem referir-se, dentro dessa visão equivocada, ao ajuntamento, ao culto, à coletividade.

Essa postura afeta diretamente a Peregrinação.

Discípulos que não aprendem logo que a única coisa que importa é o Mestre e que o andar com Ele é um privilégio pessoal (próprio deste novo projeto de vida que abraçou em Cristo), perderão muito tempo tentando-se amoldar ao grupo onde "congrega", ficar com a cara deles, vestir a sua camisa representativa de adesão.

Só quando amadurecer - pela apreensão e prática da Palavra de Deus (Hb.5:13 e 14) - poderá perceber que empregou muito tempo abraçando como sua prioridade e objetivo de vida nada além de cânticos, de ministrações, de elementos cúlticos, dos esquemas que neutralizam a eficácia da prática do amor de Jesus e a transformação de vida pelo Seu poder.

O peregrino entende que a Peregrinção se faz na companhia do Mestre, pela prática da Palavra dentro de seus textos e contextos.

Se outros dois subirão ao monte com eles, não importa. Se outros onze entrarão no barco com eles, não importa. Se outros tantos distribuirão os pães e peixes não importa. Se levaremos a Palavra com outros peregrinos e passaremos algum tempo com eles não importa.

A única realidade que o peregrino não perde de vista, por nada nesse e no outro mundo, é que sem a companhia do Mestre NÃO HÁ caminhada.

Sendo assim, o peregrino sempre se apegará ao seu Mestre e caminhará com ele.

É bom ter a companhia de outros, mas não importa quantos serão e quando estarão e por quanto tempo permanecerão. Suas raízes não estão postas nesse mundo, ou numa comunidade de fé, ou em uma denominação... etc.

A única Pessoa sem a qual ele não pode continuar a caminhada é o Mestre.

Agindo assim, poderá gozar da isenção necessária para se fazer a vontade do Mestre.

Portanto, enraizar-se em Deus e viver a caminhada pelo estudo sério e aprofundado da Sua Palavra, manterá o peregrino sempre nutrido e sem a neurose de que sózinho não poderá peregrinar, que sem a ajuda de outros ele não conseguirá realizar nenhum aspecto da vontade do Mestre, que sem uma estrutura evangélica por traz dando o suporte não conseguirá ter sucesso na caminhada... somente o Espírito Santo a enviá-lo e capacitá-lo não será suficiente.

O Mestre sempre será o primeiro e o último, o princípio e o fim, o cerne da busca, o ar essencial da fé, o exemplo de amor que se compromete com gente, não com estruturas, faz... mais nada, nem ninguém, nunca.

FONTE LIVRO:
http://www.mundocristao.com.br/produtosdet.asp?cod_produto=10617&cod_categoria=152