domingo, janeiro 30

MAIS UMA REFLEXÃO NO ENLACE DE AMOR

Átila da Silva para o CONTRA MÃOS

OCASIÃO: Celebração de casamento de meus sobrinhos Martha e Dreison Luis.
Data: 08/01/2011

Martha e Dreison Luis abriram o seu convite de casamento com os últimos três versos do Soneto nº. LXIX (69) da obra “Cien Sonetos de Amor”(1) do poeta chileno, Prêmio Nobel de Literatura (1971), Pablo Neruda.

“y desde entonces soy porque tú eres,
y desde entonces eres, soy y somos,
y por amor seré, serás, seremos".


"E desde então, sou porque tu és;
 
e desde então és, sou e somos;
e por amor, serei, serás, seremos”


Neste Soneto, queridos, Neruda decanta o amor como fator gerador de uma cumplicidade que, de tão profunda, revela o autor como um ser partido, incompleto, mas que encontra na vida vivida a dois a inteireza necessária para seguir em felicidade.

Curiosamente, essa mesma ação do amor pode ser encontrada de maneira mais profunda e completa como tema de um livro bíblico, escrito cerca de um século antes de Cristo. O livro chama-se “O Mais Excelente dos Cânticos” ou “Cantares de Salomão”.

Para mim, particularmente, impressiona saber que Deus já havia se preocupado, mil anos antes de Cristo, em compartilhar com todos nós Sua lição de amor e completude, indicando o único caminho lúcido e eficaz para a vivência do amor, cumplicidade e felicidade a dois.


(1) Santiago, Editorial Universitaria, 1959


Esse caminho é feito pela exaltação do valor do amor conjugal como preciosa dádiva de Deus que deve ser obtida em pureza e preservada com perseverança. (2)

Por isso, Martha, Dreison e convidados, derivaremos desse livro três decisões que delineiam o caminho correto e lúcido, segundo Deus, para a vivência cotidiana do amor, cumplicidade e felicidade a dois.

1ª DECISÃO É PROVER-SE DO DEUS de amor

Quando pensamos na origem do amor verdadeiro passamos por um dilema centenário: o que vem primeiro o homem ou o amor? Este amor verdadeiro é uma dádiva transcendente ou apenas uma reação químico-biológica que é eterna enquanto estiver durando? Para mais essa questão Deus nos deixou respostas na Bíblia, onde encontramos o seguinte:

“Deus é amor. Todo aquele que permanece no amor permanece em Deus e Deus nele”. 1Jo.4:16

 “Quem não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor”. 1Jo.4:8

(2) Adaptado de Carlos O.C.Pinto in “Foco e desenvolvimento no Antigo Testamento”, ed. Hagnos, p.581.


Logo, o relacionamento pessoal com Deus precede a vivência do amor verdadeiro. E é justamente por isso, que muitas pessoas, mesmo frequentando o ambiente religioso, mesmo praticando uma fé, não conseguem experimentar no dia a dia esse amor. Porque o Deus bíblico não está na teoria, queridos, mas na prática, não habita num altar, mas no coração e na vida. Ele se relaciona com pessoas que queiram relacionar-se com Ele e concede a dádiva do amor. Vejam outro texto bíblico:

“Mas qualquer pessoa que se relaciona pessoalmente com Deus, guardando e praticando a Sua palavra, nele realmente se tem aperfeiçoado o amor do Senhor". 1Jo.2:5

Logo, Dreison Luis e Martha, vocês poderão desfrutar desse amor verdadeiro que independe de humor, de situação financeira, de saúde, de contextos favoráveis para ser e permanecer. Isso porque o verdadeiro amor tem origem em Deus e é dado a todo o ser humano que quiser relacionar-se pessoalmente com Ele.

Então, minha sugestão é que quando vocês declamarem um para o outro o soneto, “E desde então, sou porque tu és; e desde então és, sou e somos; E por amor, serei, serás, seremos”, deverão lembrar que essa declaração inclui indubitavelmente, a Pessoa de Deus como a Fonte do amor de vocês.

Já a segunda decisão que delineia o caminho correto e lúcido, segundo Deus, para a vivência cotidiana do amor, cumplicidade e felicidade a dois é:


2ª DECISÃO É PRETERIR-SE A SI MESMO

            Um verso que se repete em três das cinco divisões do livro de Cantares (3) é:

“Eu sou do meu amado, e o meu amado é meu(4)

Vejam, Martha e Dreison Luis, que o trecho coloca a primazia da entrega ao outro sobre e antes do próprio direito ao usufruto do amor: Eu sou do(a) meu(minha) amado(a). Essa decisão confronta uma das mais influentes maneiras de ser e pensar da atualidade: “O que importa é se você está feliz”.

            Bem, queridos, Deus compartilha do amor conosco para que ele seja um estado de mente e alma, onde a vida não será aferida a partir da pretensa autofelicidade, de momentos de prazer, nem por relances de “sentimentos de uma alegria fugidia, efêmera do aqui e agora”.

            “Preterir-se”, queridos, não significa anular-se, mas priorizar completamente a cumplicidade com o outro, o encontrar-se fora de si mesmo, o colocar-se em uma posição de quem escolhe ser o primeiro a amar, a doar, a fazer feliz, a buscar, a amparar.


(3) 2:16; 6:13 e 7:10 – Divisões: O namoro (1:2 a 3:5); A procissão para o casamento (3:6-11); A consumação do casamento (4:1 a 5:1); Término da lua de mel (5:2 a 6:13); O aprofundamento do casamento (7:1 a 8:4) e a Maturidade do amor (8:5-14). Adaptado de C.C.Ryrie in A Bíblia Anotada - Mundo Cristão.
(4)  Ocorrências no livro: 2:16; 6:13 e 7:10.


 Isso naturalmente depõe e destrona os nossos orgulho e autossuficiência. Sendo “a medida do amor, o amar sem medida”, como disse Santo Agostinho (5), Deus mostra que o preterir-se em favor do outro é o caminho correto e lúcido para a manutenção do estado de felicidade que todo casal deseja vivenciar. 
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(5) “Modus diligendi est sine modo diligere” apud Étienne Gilson in “The Christian Philosophy of Saint Augustine”, Octagon Books, p.311.


Bem, além de “Prover-se do Deus de Amor” e de “Preterir-se a Si Mesmo”, Dreison Luis, Martha e convidados, a terceira decisão que delineia o caminho correto e lúcido, segundo Deus, para a vivência cotidiana do amor, cumplicidade e felicidade a dois é:


3ª DECISÃO É PRETENDER-SE AMADO

“Eu sou do meu amado, mas o meu amado é meu

Quando coloco “pretender-se” o faço não no sentido de pretextar ou pleitear, como se surgisse alguma dúvida, como se vocês precisassem exigir do outro a recíproca do amor. Mas, sim, como ‘sustentar, asseverar’. Ou seja, “pretender-se amado” é assegurar a sua posição de ser que ama, mas que é amado; alguém que ratifica a valorização do cônjuge, mas que é valorizado por ele, que vê o outro como um ser necessitado, incompleto, mas que vê a si mesmo, também, como gente necessitada, incompleta.

Isso diz respeito ao fato de que um casamento não se assemelha a um cabo de guerra, onde forças opostas lutam entre si pelo êxito. Nem mesmo a uma bicicleta, na qual um vai sentado na garupa, apreciando a paisagem, enquanto o outro pedala sozinho. Não existe casamento que mantenha a vivência cotidiana do amor, cumplicidade e felicidade quando existe um cônjuge que tem proeminência sobre o outro.

 “Eu sou do meu amado, mas o meu amado é meu

Penso que a figura que ilustra esse equilíbrio delicado é o triângulo equilátero: onde a base de sustentação é formada pela Pessoa de Deus e Seu amor e os lados, iguais e em harmonia, os cônjuges, convergem para a base.
Muitos relacionamentos, queridos, se mantêm em desequilíbrio onde um cônjuge afirma-se como esteio da família, às vezes no grito ou na intimidação ou na auto-estima negativa do outro, enquanto o seu par permanece na vida como um coadjuvante, dependente e inerte na dinâmica de dar e receber.

Dreison Luis, Martha, somos gente imperfeita, sim, somos seres egoístas, sim, somos limitados, sim, mas a apenas uma oração de distância da Fonte de toda a Perfeição, de todo Altruísmo e de todo Amor Verdadeiro!


Então, cabe a vocês, queridos, buscarem “Prover-se do Deus de Amor”, de “Preterir-se a Si Mesmos” e “Pretender-se amados” sem que a rotina da vida e seu modo ‘des-sensibilizador’ alterem esse equilíbrio de amor que busca a Fonte, que dá e que recebe.


 Assim, minha esperança e oração é que vocês e sua nova família sejam um exemplo de gente que anda no caminho correto e lúcido, segundo Deus, e que vive cotidianamente o amor, a cumplicidade e a felicidade a dois.

E estendo o convite a todo casal que queira decidir agora mesmo “Prover-se do Deus de Amor”, “Preterir-se a Si mesmo” e “Pretender-se amado”, em transformar essa decisão em uma oração, uma prece de coração, juntamente comigo agora...

Em nome de Jesus. Amém


FONTES:

segunda-feira, janeiro 17

SE OLHARMOS A VIDA COM UMA ATITUDE FILOSÓFICA...

Átila da Silva para o CONTRA MÃOS

Todos os que passam cotidianamente pelo CONTRA MÃOS me encontram colaborando com sugestões, que visam libertar a mente e o coração das pessoas das diversas formas de alienação, quer religiosa, quer social, quer meticulosa, quer geral (Leia mais em ATITUDE FILOSÓFICA). Qualquer pessoa que já tenha lido o texto de Romanos 6:4, "assim andemos nós em novidade de vida"(1), pode perceber a coerência da renovação diária da razão e do raciocínio, os quais levam a uma nova vivência do dia a dia (É interessante vermos como Paulo relaciona a novidade de vida à tomada de posição compromissada com a realidade do Discipulado de Jesus!).

Pensar e crer não estão dissociados. Pelo contrário. Tenho visto que quanto mais quero viver a vida cristã, mais preciso RECRIAR meu mundo interior, minhas convicções sobre o que é melhor e o que é o pior, sobre o que é pecado e o que não o é, a minha cosmovisão, a minha maneira de relacionar-me com o outro... etc... É claro que o combustível para isso vem dos princípios de vida da Bíblia, mas quem os aplica sou eu, sempre com a ajuda do Senhor!

Para isso, tenho trazido inúmeras possibilidades para fazer do cotidiano um celeiro de maneiras novas de pensar e viver, sob a base indispensável da Bíblia e d iluminação de Seu inspirador, o Espírito Santo.

Hoje, como estímulo filosófico, compartilho uma história sensacional vivenciada pelo conhecido músico Jarbas Agnelli(2 e 3)



FONTE:
1. Versão Revista e Atualizada da Bíblia. Vale lembrar que o verbo grego, pela interpretação de seu tempo, modo e voz, aponta para uma vivência cotidiana e contínua: http://www.bibliaonline.net/bol/?acao=por_verso&livro=45&capitulo=6&versiculo=4&versao=1,10,11&grupos=&agrupar=on&link=bol&cab=1&lang=pt-BR.
2. TEDxSaoPaulo - Jarbas Agnelli

quarta-feira, janeiro 12

REFLEXÃO DE CASAMENTO

Átila da Silva para o CONTRA MÃOS

OCASIÃO: Enlace matrimonial de meus filhos Natália e Renan
Data: 21/08/2010
Natália e Renan escolheram para nossa meditação nessa manhã um trecho da poesia hebraica, contido no famoso livro bíblico dos Salmos, em seu capítulo 37, versos 3 e 4:

“Confie no Senhor e faça o bem; assim você habitará na terra e desfrutará segurança. Deleite-se no Senhor e Ele atenderá aos desejos do seu coração”
Nova Versão Internacional

É interessante que todo esse Salmo didático tenha sido composto como um acróstico, ou seja, os conjuntos de versos iniciam-se obedecendo a sequência do alfabeto hebraico.
O texto que abre o seu convite de casamento encontra-se na sessão nº dois do poema acróstico, sob a consoante Bêt.

São versos maravilhosos que decantam o relacionamento íntimo do salmista com Deus. E essa intimidade supre um paralelo meditativo loquaz para vocês e todo casal que pretenda vivenciar, a partir de hoje, a segurança e a doce satisfação em seu relacionamento a dois.
 
O texto revela duas atitudes relacionais como caminho obrigatório para quem deseja desfrutar a vida com qualidade e sobeja em resultados fecundos:

1ª ATITUDE RELACIONAL É: CONFIAR-SE

Comumente utilizamos este verbo querendo demonstrar uma ação de “colocar a confiança EM” algo ou alguém. Mas o relacionamento pessoal com Deus não admite outra atitude consciente e premeditada senão que o seu filho confie-se a Ele, pois se apenas confiasse em Seu poder, em Seu amor, em Seu livramento, ainda manteria em suas mãos o frágil controle da própria vida. Ninguém pode desfrutar a vida com qualidade e vê-la sobejar de resultados fecundos ocultando-se de Deus.

“Confiar-se a Ele” significa entregar todo o ser à Sua liderança amorosa, a fim de aprender a trilhar o Seu novo Caminho de vida, é decidir viver por Sua direção, é deixar-se plenamente visível, ser conhecido por Deus, deixar-se transformar por esse relacionamento íntimo, é render-se à verdade de que a nossas definições de significado e razão de ser e viver não podem imitar a vida de qualidade, de paz interna que floresce, de dentro para fora, quando nos confiamos à Pessoa de Deus.

Sei que é difícil abandonar-se ao relacionamento com Deus, em meio a um mundo que “quem sabe faz acontecer”, onde se confia desconfiando, onde a segurança deriva-se dos artefatos de vigilância, do lastro financeiro, do emprego estável ou daquele vazio otimismo insensato, que reina no inconsciente social de nós brasileiros: "Deixa que amanhã vai melhorar".

Renan, Natália, o casamento não pode começar de outra forma, senão confiando-se a Deus, individualmente, para que seu relacionamento a dois inicie e se desenvolva sobre a base sólida de uma união entre pessoas que vivem a dois o reflexo natural da prática do bem na andança cotidiana pela vida, sempre confiados a Deus.

Vocês desejam confiar-se individualmente e como casal a Deus?

Então, desfrutem da vida com qualidade e sobeja em seus resultados fecundos.

Já a segunda atitude relacional apresentada pelo trecho como caminho obrigatório para quem deseja desfrutar a vida com qualidade e sobeja em seus resultados é:

2ª ATITUDE RELACIONAL: COMPRAZER-SE

“Comprazer-se” percorre o mesmo caminho que o “confiar-se”. Quando se espera que o deleite, o encanto, a delícia e o prazer sejam fruto do contato com as coisas boas da vida, o poeta salmista remete cada um de nós de volta à fonte supridora de significado e de sentido ao prazer, ou seja, o relacionamento íntimo com Deus!

“Compraze-te no Senhor”. Mas por que essa insistência?

Fica claro nas páginas de vida da Bíblia que quando uma pessoa persegue o efeito, distancia-se da Causa. Ou seja, mesmo que usufrua de algo, será cativa de um círculo vicioso de crescente busca por mais efeito. Uma busca procede à outra. Uma experiência necessita ser mais gratificante que a anterior. Bem, isso parece ser bom já que a maioria das pessoas ainda resume o deleite da vida às circunstâncias fora de si mesmas, nas happy hours e encontros fortuitos.

Mas o texto nos diz, Renan e Natália, que focar nosso comprazimento, nosso deleite da vida, no relacionamento íntimo e pessoal com Deus é encontrar a Causa, é desvendar o “Big Bang” existencial, é mergulhar na Fonte, sendo plenamente saciado.

A maravilha que vejo aqui, meus queridos, é que esse comprazimento torna-se uma constante, um estado da alma e não um efeito passageiro.
Então, Renan, Natália, sua vida e relacionamento não podem viver para consumir efeitos. Eles precisam, disciplinadamente, manter-se no caminho do acesso à causa e aquilo de que realmente necessitam será suprido de maneira objetiva, direta, sem que haja uma peregrinação sem fim para encontrar-se os feitos como ‘ouro de tolos’, a neblina de um prazer que logo se dissipa, retornado a um rosnar interior faminto por mais paliativos.

“Ele, Deus, saciará os desejos do seu coração”.

Meus queridos, eu sei que vocês já têm vivido a dinâmica do relacionamento íntimo com Deus de maneira pessoal, mas agora unirão essas experiências de confiança e comprazimento para fazerem uma família, um lar confiado à Fonte de toda a alegria: Deus. Somos gente imperfeita, sim, mas a uma oração de distância da Fonte de toda a Perfeição!

Assim, minha esperança e oração é que vocês e sua nova família sejam uma luz esplendente para os que vivem perdidos, sem significado interior, oprimidos pela mendicância por efeitos que lhes escapam às mãos.

Por isso:

“Confiem-se ao Senhor e façam o bem; assim vocês sempre viverão em segurança nessa terra”.

Por isso:

“Comprazam-se nEle para usufruto de um mundo interior totalmente satisfeito pelo que se é e não pelo que se tem”.

E todo convidado que decidir agora mesmo confiar-se a Deus e comprazer-se nEle, pode transformar esse decisão em uma oração, uma prece de coração, juntamente comigo...

Em nome de Jesus. Amém