quinta-feira, julho 28

AS CICATRIZES CONTADORAS DE HISTÓRIAS...

Átila da Silva para o CONTRA MÃOS

É interessante mapearmos nossas experiências vividas. Alguns organizam um diário num caderno escrito a mão; outros o fazem em uma página na web; há aqueles que incluem na decoração do lar uma prateleira ou mesa de canto com objetos que os fazem lembrar de experiências nas diversas fazes da vida. Uma boa coisa é historiar as cicatrizes do nosso próprio corpo (1). O que será que elas revelam?

Nas minhas mãos trago algumas pequenas cicatrizes que alimentam minha mente e me levam a recordar o acidente que sofri com minha família. Havia toda a possibilidade de ser um desastre terrível... Um sujeito dormiu ao volante e seu carro invadiu nossa pista e bateu, quase de frente, no nosso... Naquela fração de segundos, tive a iluminação de desviar e fugir em direção ao acostamento... Minha filha foi muito afetada, ficou na UTI... eu quebrei duas costelas... meu filho cortou o rosto e minha esposa machucou muito o joelho...

Puxa, como lembrei desses detalhes apenas olhando para essas cicatrizes! Mas o mais importante foi lembrar de como Jesus nos ajudou providenciando socorro imediato, atendimento mesmo em meio a uma greve geral dos médicos do hospital para onde formos levados... foi bom lembrar da paz que inundou nosso coração e nos mostrou a Presença de Deus, percebida inclusive pelos médicos que nos atenderam... Foi triste, dolorido, mas faz parte da minha história.


Que outras histórias podem ser rememoradas por meio de suas cicratizes?

Um escritor bíblico utilizou-se da lembrança de suas cicatrizes para evidenciar aos seus leitores e opositores até onde esteve e estava disposto a ir por seu compromisso com o Cristo e Seu Evangelho (Sem mais, que ninguém me perturbe, pois trago em meu corpo as marcas(2) de Jesus - Gl.6:17 - NVI). (3) Fico impressionado em como as lembranças dolorosas de Paulo, ligadas indiscutivelmente às suas cicatrizes, eram tratadas por ele como troféus à Graça divina. Não há o simples pensamento positivo visando a superação da dor, ou a clássica insistência na pressão coercitiva de Deus via perguntas como "Por que eu?".

Existe, sim, a entrega deliberada de cada experiência do passado, presente e futuro nas mãos do Senhor, para a Sua glória, pois todas foram conseguidas por causa do Evangelho.

As cicatrizes eram instrumentos de ensino, tanto na vida de Paulo quanto para os que com ele conviviam... quero também aprender a transformar minhas dores, minhas lembranças, minhas cicatrizes em memoriais da Graça do Pai. Mesmo que nem todas tenham sido conseguidas por causa ou na lida pelo Evangelho, quero dedicar cada uma delas como eloquentes testemunhas de que o Mestre Jesus tem o poder de transformar todas as coisas para a Sua glória, segundo o seu plano maravilhoso de amor e graça...

FONTES:1. Fotos reunidas por CONTRA MÃOS a partir de:
bbc.co.uk (O diário de Anne Frank); ivosalgado.com.br; ehow.com; salvador.olx.com.br.

2. A palavra grega stigma (στίγμα) aparece apenas nesse texto no NT e indica, em nossa opinião, marcas verdadeiras, feitas na carne de Paulo pelas diversas experiências que viveu a favor e por causa do Evangelho, como descritas, por exemplo, em 2 Co.6:4,5: "Pelo contrário, como servos de Deus, recomendamo-nos de todas as formas: em muita perseverança; em sofrimentos, privações e tristezas; em açoites, prisões e tumultos; em trabalhos árduos, noites sem dormir e jejuns..." (NVI).

3. O contexto fala da insistência de alguns irmãos, judeus convertidos, em exigir que os novos convertidos trouxessem a marca da circuncisão da carne como sinal do compromisso pessoal com Deus.

4. Foto: whyislam.org